Requiem K. 626
Orquestra Clássica do Centro
Maestro José Eduardo Gomes
Coros
Art’Amoris Ensemble
Coro Participativo
A Missa de Requiem em Ré menor, de W. A. Mozart, é muito possivelmente a obra que mais repercussão causou na história da música, e das artes em geral, alimentando histórias, mitos e lendas ao longo de mais de dois séculos.
As circunstâncias da sua composição têm um claro pendor de mistério romântico. Em Julho de 1791, esgotado pelo trabalho e preocupações financeiras, Mozart dedicava-se à conclusão da ópera “A flauta mágica”, quando recebeu a visita de um mensageiro secreto, a encomendar-lhe a composição de uma Missa de Requiem.
Têm sido várias as efabulações em torno desta história, mas sabe-se hoje em dia que, de facto, o misterioso mensageiro era intendente do Conde Walsegg, que pretendia uma obter uma missa de Requiem em memória da sua falecida esposa, com a peculiaridade de ser uma partitura anónima, tendo o desonesto intuito de apresentar a obra como sendo de sua autoria.
Tal nunca veio a suceder ou proporcionar-se, uma vez que Mozart faleceu antes de concluir a obra.
A obra acabou por ser concluída por Franz-Xaver Süßmayr, discípulo do compositor que conhecia profundamente o seu trabalho, e que terminou os andamentos inacabados com base nos apontamentos, anotações e rascunhos de Mozart assim como recorrendo à inspiração estilística no vasto catálogo de obras do mestre, que inclui uma grande quantidade de música litúrgica, além do repertório de teor simbólico e maçónico dos últimos anos da sua vida.
Esta Missa de Requiem será a obra mais marcante e famosa do género – em conjunto com o Requiem Alemão de Brahms e o Requiem de Verdi – e serviu como inspiração e paradigma para muitos compositores ao longo da história até a actualidade, inspirando obras ainda hoje. Refira-se, a título de exemplo, a forte influência e presença estilística da obra na composição da Missa de Requiem de Domingos Bomtempo, o aclamado compositor oitocentista português.
Trata-se de uma obra de grande beleza, com uma certa dramaturgia ou teatralidade operática, a par da solenidade imponente, sendo uma referência e presença fundamental no repertório orquestral hodierno.
Rodrigo Queirós
